A escala 6×1 ainda não acabou — mas ela deu um passo grande para acabar. Em 2 de setembro de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 221/2019, que garante dois dias de folga por semana e reduz a jornada de 44 para 40 horas. A proposta agora vai ao plenário do Senado. Até lá, nada muda no seu trabalho.

Se você trabalha seis dias e folga um — o famoso 6×1 —, essa é a notícia da semana para você. Mas é preciso entender direitinho em que pé a coisa está, porque muita gente já está achando que a folga a mais começa amanhã. Não é assim.
O que a CCJ do Senado aprovou
A comissão aprovou, por votação simbólica, o parecer favorável do relator, senador Omar Aziz, ao texto que veio da Câmara dos Deputados (a Câmara já tinha aprovado a proposta, em dois turnos, em maio de 2026). O texto mexe na regra de jornada que está na Constituição, hoje prevista no art. 7º da Constituição Federal.
Na prática, o que está escrito na proposta é isto:
- Dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente no domingo.
- Jornada de no máximo 8 horas por dia.
- Redução da semana de 44 para 42 horas em até 60 dias depois de a mudança entrar em vigor.
- Depois de mais 12 meses, a semana cai para 40 horas.
- Tudo isso sem redução de salário.
- Continua sendo possível compensar horas e ajustar a jornada por ou convenção coletiva.
O que ainda falta para virar regra
Falta a parte mais difícil. Como é uma proposta de emenda à Constituição, ela precisa ser votada duas vezes no plenário do Senado e, em cada uma delas, receber o voto de pelo menos 49 dos 81 senadores. Só depois disso é que a mudança é promulgada e passa a valer — e mesmo assim de forma escalonada, como está no texto acima.
Até o fechamento desta publicação, a proposta estava aguardando ser incluída na pauta do plenário. Não existe data definida.

O que isso muda para você
Hoje, nada. Se você está na escala 6×1, sua empresa não é obrigada a te dar a segunda folga por causa dessa votação. A regra atual continua igual: jornada de até 44 horas por semana e, no mínimo, um dia de descanso semanal remunerado.
Se a proposta for aprovada no plenário e promulgada, aí sim a mudança chega no seu dia a dia, em duas etapas:
- Mais uma folga por semana. Quem trabalha de segunda a sábado passaria a ter dois dias livres, e um deles cairia de preferência no domingo — o que muda a vida de quem hoje quase nunca almoça com a família.
- Menos horas na semana, com o mesmo salário. Primeiro 42 horas, depois 40 horas. O texto diz expressamente que não pode haver corte de salário por causa disso.
- Menos desgaste e menos risco de adoecer. Quem trabalha em pé, no calor, carregando peso ou em turno sabe o que 4 horas a menos por semana representam para o corpo.
Uma coisa importante: mudança na Constituição vale daqui para a frente. Ela não gera, sozinha, direito a receber atrasados pelas folgas que você não teve nos anos passados.
E os direitos que você já tem hoje
Enquanto a discussão anda em Brasília, vale lembrar que a lei de hoje já protege bastante coisa e muita gente não recebe o que é seu:
- Hora trabalhada além da jornada normal é hora extra, com adicional.
- Trabalho no dia de descanso, sem folga em outro dia, tem pagamento em dobro.
- Escalas especiais (12×36, por exemplo) precisam estar previstas em acordo ou norma coletiva.
- Os cartões de ponto são prova. Se a empresa não apresenta, isso pesa a favor do trabalhador.
Perguntas frequentes
A escala 6×1 acabou?
Não. Em 2 de setembro de 2026 a proposta foi aprovada apenas em uma comissão do Senado (a CCJ). Ela ainda precisa ser votada duas vezes pelo plenário do Senado.
Meu patrão já é obrigado a me dar duas folgas?
Não. Enquanto a mudança não for promulgada, vale a regra atual: no mínimo um dia de descanso semanal remunerado.
Se aprovarem, meu salário vai cair junto com as horas?
O texto aprovado na comissão diz que a redução da jornada acontece sem redução de salário. Mas isso só vale se o texto for aprovado e promulgado com essa redação.
Quando isso começaria a valer?
Segundo o texto, a semana cairia para 42 horas em até 60 dias depois da mudança entrar em vigor e para 40 horas 12 meses depois disso. Só que ainda não existe data para a votação no plenário.
Eu trabalho 6×1 e faço muita hora extra. Posso fazer alguma coisa hoje?
Sim. Independentemente dessa proposta, jornada acima do limite legal, folga não concedida e ponto irregular são questões que a lei atual já trata. Guarde seus contracheques, escalas e registros de ponto.
Ficou com dúvida sobre a sua jornada?
Se você quer entender como a sua escala e as suas horas se encaixam nas regras que valem hoje, fale com a nossa equipe pelo WhatsApp: clique aqui para conversar.




0 comentários
💬 Participe da conversa! Mas, por segurança, não compartilhe dados pessoais nem detalhes sigilosos do seu caso aqui — os comentários são públicos. Para tratar da sua situação, fale com a gente no WhatsApp.